Review: Myrkur – Folkesange

Por Lucas Santos

Se imagine no meio de Witcher 3, em cima de Carpeado, e passando por um vilarejo cheio de contratos. Agora, imagine uma tomada aérea do Condado em A Sociedade do Anel. Bem, esses são os lugares pra onde a música de Folkesange vai te levar.

Lucas Santos

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Gravadora: Relapse Records
Data de lançamento: 20/03/2020

Gênero: Folk
País: Dinamarca

Myrkur é um projeto musical de folk/black metal da dinamarquesa Amalie Bruun. Inicialmente, a sua identidade real por trás do projeto foi mantida desconhecida, no entanto, pouco depois, foi tornada pública. Ao todo, são dois álbuns de estúdio, sendo Folkesange o terceiro. Ele se difere dos anteriores por se focar apenas no folk. O black metal, muito presente nos dois discos anteriores, fica de fora e o brilho de Amalie atinge níveis poucos explorados anteriormentes.

Se imagine no meio de Witcher 3, em cima de Carpeado, e passando por um vilarejo cheio de contratos. Agora, imagine uma tomada aérea do Condado em A Sociedade do Anel. Bem, esses são os lugares pra onde a música de Folkesange vai te levar. A rica, cristalina, e requintada musicalidade nos transporta para viagens além da nosas imaginação. São músicas inspiradoras e muito bonitas. A voz de Bruun está mais forte do que nunca e ela mostra esse poder da maneira mais magnífica. O tempo dos instrumentos e harmonias texturizadas é arrepiante, e as histórias que ela conta, mesmo quando são em sua língua natal, são incomparáveis.

As abrangentes abordagens da mais épica Ella e da dançante e alegre Fager som en Ros ditam a capacidade de Amalie de criar momentos espetaculares. A tensa atmosfera de Ramund cria uma vibe densa diante dos nossos ouvidos, e a belíssima Tor i Helheim nos leva a um campo deserto com ventos fortes que balançam os galhos e cabelos sem nenhum suspiro final.

Gudernes Vilje é o ponto mais comovente de todo o álbum, essa faixa é lindíssima, de chorar. Ela é seguida do encerramente Vinter, que ratifica o quão poderosa e delicada a voz de Amalie é, o agudo hipnotizante e os toques suaves se mesclam em mais um acerto explendoroso.

Ao longo das 12 faixas as coisas podem sim parecer um pouco similares, usando um pouco dos formatos em cada faixa, a repetição é inevitável, porém, músicas individuais não são o ponto principal aqui. Esse é um disco que cria uma atmosfera ao seu redor, um mundo próprio, sem soar linear e não muito expandido. É um objeto antigo, talvez, mas um sincero e habilmente realizado de uma artista genuinamente única.

Folkesange vira uma chave que o projeto Myrkur não havia penetrado anteriormente. Obviamente, o folk sempre esteve presente, mas aqui, como o folk é o único foco, é capaz de se perceber um imenso conforto ao trilhar esse caminho. Monte no seu carpeado, ou convide o seu amigo hobbit, para embarcar nessa ampla aventura.

Nota final: 8/10

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