Review: Frejat – Ao Redor do Precipício

por Roani Rock

Frejat aceitou sua faceta de mais velho e “tio do rock” trazendo um disco bem pessoal para seu fãs, agora composto praticamente por adultos, muitos sendo pais e avós, e que não dialoga com a juventude mesmo sendo uma tentativa.

Roani Rock

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Gravadora: Independente
Data de lançamento: 4/06/2020

Gênero: Rock
País: Brasil

Faz 12 anos que Frejat não lançava um álbum novo em sua carreira solo. O ano em que Frejat lançou Intimidade entre Estranhos, 2008, foi o mesmo em que o Spotify foi ao ar pela primeira vez na Suécia, e o YouTube tinha 3 anos de vida.

Engraçado pensar que o mais novo lançamento, Ao Redor do Precipício, por sinal, já estava pronto e prensado desde maio do ano passado — começou a ser produzido em novembro de 2018 Mas ele só resolveu lançar agora. Ele acreditava que a linguagem moderna pedia apenas singles e em meio a versões de caras como Fábio Jr ele se especializou em (re-)produzir baladas e soltar nos streamings já que o retorno financeiro, todavia, é bem baixo, mas mudou de ideia.

O disco novo demorou pra sair por essa razão, mas algumas das composições foram feitas desde o começo do século, com Leoni sendo o principal contribuidor — coautor de quatro faixas —, Zeca Baleiro, Jards Macalé, o finado Luiz Melodia e o frequente parceiro Mauro Santa Cecília. Esse elenco estrelado deveria deixar tudo mais excitante, entretanto, não fez jus.

Tudo começa com uma faixa folk de intro que recebe o nome do álbum e que poderia significar algo mais acústico mediante aos hits divulgados antes do lançamento, mas a verdade é que a primeira parte do álbum engana. Em seguida vem Te Amei Ali, uma balada que poderia ter sido lançada pelos Móveis Coloniais de Acaju, que tem a excelente frase “Perto de Deus, longe do céu” e que conta com os backing vocals da Iza, um dos destaques do disco.

Amar Um Pouco Mais tem uma melodia alá Barão Vermelho, Dá pra encaixar a letra de Por Você na melodia inicial. Mas diferente do clássico da banda carioca a nova música tem uma letra reflexiva e bem trabalhada de auto ajuda. Mas o disco tem certos problemas de mixagem, as guitarras parecem as vezes soam mais altas e as violas desencontradas ao piano, o que parece ocorrer em “Pergunta Urgente”, uma canção bem “raulseixista“.

Cartas e Versos tem uma grande performance vocal de Frejat. Muito sútil, facilmente a melhor do disco, mas há quem possa taxá-la como uma música romântica careta. Tem uns timbres de guitarra que lembram os das canções de Lulu Santos e a melodia e letra são bem a cara do Leoni que ajudou a compor.

Depois desse acerto o álbum passa a ficar um tanto diferente, com uma mudança total de ritmo em uma música que simula o funk brasileiro e a “batida do pancadão” com percussão e guitarra distorcida, entra em seguida uma sequência estranha de músicas que não dialogaram bem. O baião moderno “E Você Diz“, a eletrônica “Planetas Distantes” do gaúcho Luis Nenung e a faixa composta por “Tudo que consegui”, músicas difíceis de digerir, não casou com o Frejat e muito menos com o disco.

Já o blueszinho safado A Sua Dor É Minha tem o diferencial de ter Alice Caymmi como interprete que dá voz à personagem dominatrix dessa balada-blues em si pouco sedutora, a composição é de Frejat com George Israel e Mauro Santa Cecília, tendo sido feita em 2002 ou 2003. O ponto mais atraente é o de cordas, mas o vocal do Frejat bem baixo não dá o tesão necessário.

Eu já tinha a intenção de lançar o disco comercialmente. Mas, aí, ficamos presos na pandemia. E esse nome já estava no disco, a ideia surgiu porque eu comentava com meus amigos que o meu dia a dia era uma oscilação entre ficar surpreso com a generosidade das pessoas, seja na cultura ou na ciência, e, ao mesmo tempo, ver que as pessoas têm uma capacidade incrível de serem bárbaras e desconhecer todos os princípios de coerência e racionalidade. Acredito que estamos nesse momento, exatamente entre dois pontos: aquele com uma bela vista, promissora, e, do outro lado, o precipício.

Frejat ao GaucháZH

Ao Redor do Precipício surgiu de um núcleo formado por Frejat, o tecladista de sua banda, Humberto Barros, o produtor e guitarrista Kassin e o guitarrista e baixista Maurício Negão. Mas o time de músicos envolvido no projeto é amplo e inclui três bateristas – entre eles Pupillo, da Nação Zumbi, que também é produtor -, o maestro Arthur Verocai, a cantora Alice Caymmi e o flautista Carlos Malta.

As melhores músicas são Todo Mundo Sofre que remete ao Neil Young and Crazy Horses, grande influência de Frejat, a balada Por Mais Que Eu Saiba, bem épica, a que parece estar melhor gravada e que é até bom frisar, a que se ouve todos os instrumentos bem equalizados e a faixa instrumental solitária Parada de Estrada Vazia. O disco mostra que Frejat estava certo em focar em lançar músicas soltas, o set que ele montou reflete a tentativa do guitarrista em se adequar e adaptar sem parecer um “velho intruso no meio dos brinquedos das crianças” (palavras do próprio em uma entrevista), mas não deu liga.

Nota Final: 6/10

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