Review: Nightwish – Human. :II: Nature

Por Lucas Santos e Vinicius Tramont

Além do crescente aumento da influência folk, o que mostra que não foi atoa a efetivação do Troy Donockley à banda. Influência essa que vai para além do uso dos instrumentos de sopro e cordas, já usados pelo próprio Troy desde o Dark Passion Play (2007), fazendo com que sua voz épica e dramática seja muito bem explorada como na faixa Haverst.

Vinicius Tramont

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Gravadora: Nuclear Blast
Data de lançamento: 10/04/2020

Gênero: Metal Sinfônico
País: Finlândia

O fenômeno Nightwish cria vertentes até o dia de hoje. Todos os anos são diversas bandas que usam o metal gótico com peças operísticas fundados no heavy metal, e é claro com uma voz feminina, como a premissa de “imitar” o som produzido pelos finlandeses, que conquistou o mundo com Once (2004). Algumas com certo destaque, outras nem tanto assim. A verdade é que depois de Once, o metal sinfônico nunca mais foi o mesmo, e o Nightwish ainda se mantém como uma banda muito relevante, mesmo com algumas mudanças nos vocais ocorridas no passado. Esse aliás é o segundo trabalho da cantora holandesa Floor Jansen, que estreiou em Endless Forms Most Beautiful (2016).

Nono álbum de estúdio, o longo Human. :II: Nature é dividido em duas partes. A ‘Human‘ é composta de nove canções, e talvez essa seja a melhor sequência de faixas desde o já mencionado Once. Music começa com sons ambientes e coros despretenciosos até Floor entrar em cena seguido de uma explosão sonora perto dos 5 minutos. A sequência Noise é a típica faixa que eu espero ao ouvir um álbum do Nightwish, épica.

Human. :II: Nature também tem uma pegada mais lírica, erudita, algo que remete aos primeiros da banda, principalmente, o debut Angels Falls First (1997). Além do crescente aumento da influência folk, o que mostra que não foi atoa a efetivação do Troy Donockley à banda. Influência essa que vai para além do uso dos instrumentos de sopro e cordas, já usados pelo próprio Troy desde o Dark Passion Play (2007), fazendo com que sua voz épica e dramática seja muito bem explorada como na faixa Haverst.

Pan é a perfeita harmonia entre as melodias alegres de piano com as guitarras pesadas de Emppu Vuorinen, essa faixa traz um dos coros mais inteligentes e interessantes que eu já ouvi em um disco da banda. How’s The Heart é outra passagem belíssima e Tribal, como o próprio nome já diz, usa sons tribais com intrumentação mais grooveada, entregando um som diferenciado. Procession seja a faixa menos interessante aqui, ela é genérica e não funcionou no quesito construção e levadas, ela não vai à lugar algum e frusta bastante, em outras palavras, é chata.

A segunda parte “Nature” chamada de All The Works of Nature Which Adorn The World, é composta de 8 movimentos instrumentais lindíssimos, onde cada um descreve o trabalho poderoso da natureza em moldar e transformar mas, principalmente, em enfeitar o mundo com suas cores, texturas e o esplendor da vida. São passagens que musicalizam o azul do mar, o verde da natureza, o branco da neve e outros fenônemos.

Essa parte me trouxe sensações diferentes; por um lado, os 8 movimentos são espetaculares, cheios de emoção e instrumentações riquíssimas, por outro, depois de uma primeira parte quase perfeita, me faltou mais canções. Eu cheguei a conclusão que preferia 2 ou 3 mais faixas que se assemelham à primeira parte e que esse material instrumental fosse lançado em forma de bônus ou em forma de EP. Pelo menos eles dividiram essas partes em dois, e não as usaram como interlúdio ou algo assim, isso seria um problema.

Com uma primeira parte quase perfeita, Human. :II: Nature não é fácil de digerir nas primeiras audições. Ele certamente vai dividir opiniões. A busca pelo som raíz é um acerto imenso e as faixas instrumentais podem não agradam aqueles que não estão com a disposição necessária para encarar mais de 30 minutos nessa pegada. A musicalidade é além da nossa percepção e compreensão, depois de tanto tempo o Nightwish ainda me comove com a sua criatividade e magnífcas formas de escrever música. Eles ainda são “A Banda” de metal sinfônico, corram atrás.

Nota final: Parte 1: 9,5/Parte 2: 7,5 = 8,5

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