The Rock List – 75 anos de Eric Clapton: 4 dicas para conhecer o “Slow Hand”

Por Roani Rock

Eric Clapton completou nesta segunda feira 75 anos, o músico é renomado e é a maior referência do Blues à exatas 7 décadas. Tal posto veio a ser conquistado não só por um, mas através de vários momentos da carreira e vamos esmerilhar isso de forma rápida em 5 dicas seja de discos, documentários ou shows para aproveitar e se assistir ou ouvir durante a quarentena.

1. JOHN MAYALL AND THE BLUESBREAKERS WITH ERIC CLAPTON

É bom começarmos por esse álbum de 1966. É sabido que a carreira de Eric Clapton começou com a banda The Yardbirds, ele era jovem, a banda também – ele se destacava, mas eram tratados como apenas mais uma banda gerada pela onda dos Beatles, apesar de ter ali um cara diferenciado. Após sair do grupo, ele entrou para a banda do John Mayall, o Bluesbreakers. Com a banda, ele fez o álbum decisivo para sua carreira e para se descobrir como um guitarrista de Blues.

Com os caras ele ficava em segundo plano e desenvolvia sua habilidade. Para o álbum ele teve a ideia de posicionar um microfone a certa distância do amplificador para que pudesse tirar um som similar ao que se obtinha no palco numa apresentação ao vivo.

Eu colocava o amplificador no máximo, com o volume da guitarra também no máximo de modo que tudo ficava na potência máxima e sobrecarregado. Eu tocava uma nota ,segurava-a e fazia um vibrato com os dedos até ela se sustentar, e aí com a distorção tornava-se feedback.Foram essas coisas que suponho que poderia chamar de meu som.

Eric Clapton

2. STRANGE BREW BY CREAM E REUNION LIVE AT ROYAL ALBERT HALL

Photo by LFI/ABACAPRESS.COM

O documentário que traz de certo modo o Cream na pele, mostra o passo seguinte após a saída de Clapton do Bluesbrakers. Ele alega que queria experimentar liderar algo novo, e é certo que esse power trio estava afim exatamente disso: experimentar. “O Blues antigo e moderno” deu o que falar do meio para o final da década de 60.

O Cream foi iniciado em 1966 com o pedido de Clapton ao baterista Ginger Baker de aceitar fazer o grupo contanto que o baixista Jack Bruce participasse. Este foi o início do fim, visto que Ginger e Bruce não se suportavam. A banda, apesar disso, durou dois anos e três discos conceituadíssimos cujo as músicas são exploradas até hoje, visto a existência do poderoso hit White Room do álbum Wheels of Fire, de 1968 na trilha sonora do filme ganhador de Oscars e Globo de Ouro, Coringa.

O documentário esmiúça de maneira convincente o que era o Cream, a maior banda de rock da época, mesmo com os caras sem querer fazer muito alarde quanto a isso. Eles sabiam que essa união era algo grande, para se ter noção, foi nesse período que pixaram o grafite (que Eric Clapton abomina) onde tinha a frase “Clapton Is God“.

Essa história de 66 é interessante, eles começaram a tocar Crossroads e uma série de covers de Blues naquela que seria conhecida como a estreia dos caras, para 15 mil pessoas, em duas noites no sexto Festival Nacional de Jazz e Blues de Windsor Racecourse.

Éramos uma banda desconhecida no destaque da programação, fechando a sessão da última noite(…) O tempo estava um terror. A chuva desabava, e havíamos tocado apenas três músicas antes de desistirmos e Ginger ter que anunciar: “desculpem, mas não temos mais números”. Acho que tocamos uns dois deles de novo, mas ninguém pareceu se importar, Então apenas improvisamos, a platéia foi à loucura. A imprensa foi à loucura, descrevendo-nos como o primeiro Supergrupo.

Eric Clapton

Clapton toca até hoje algumas músicas como Sunshine Of Your Love. A banda logo após o lançamento dos três álbuns se separou. Em maio de 2005, o Cream voltou ao Royal Albert Hall, em Londres, para o mesmo estágio em que haviam completado o que se pensava ser sua apresentação final em 1968. Era um dos ingressos mais ansiosos e difíceis de obter da história do rock. Com exceção de uma breve reunião na entrada de 1993 no Hall da Fama do Rock and roll, Cream não tocava juntos há quase quatro décadas. A apresentação se tornou um DVD que merece abrir um apêndice e assistir na sequência do doc. Por isso colocaremos a disposição abaixo:

3. ERIC CLAPTON AND STEVE WINDOOD: LIVE FROM MADISON SQUARE GARDEN.

Eu tinha alguém em mente desde o início: Steve Winwood, havia me impressionado com a forma dele tocar e cantar. Acho que ele tinha 15 anos na época, mas, quando cantava “Georgia”, se você fechasse os olhos poderia jurar que era Ray Chrles. Musicalmente ele era um velho na pele de um jovem.

Eric Clapton

Esse anseio de Clapton tocar com Steve ocorreu bem no início do Cream, mas Jack Bruce e Ginger Baker não queriam sair do modelo power trio. Entretanto o Cream acabou e após ficar um bom tempo de molho fazendo participação em shows como músico convidado, apenas chegou o momento em que Eric ligou para Steve e passaram a ter encontros diários tratando sobre música e sobre a vida, ele apresentou a canção Presence Of The Lord e a linguagem musical entre eles foi estabelecida, com a chegada inesperada de Ginger numa das reuniões no chalé de Steve, para certa incerteza de Clapton e brilhos nos olhos de Winwood, o Blind Faith estava sendo formado.

O primeiro show do grupo em pleno Hyde Park, tornando-se este o primeiro show de rock no parque e teve mais de 100 mil pessoas. Pós Blind Faith, Eric Clapton passou a tocar com a banda que fez a abertura dos seus shows, a Delayne & Bonnie. Ele se aliou aos músicos o que estremeceu sua relação com Steve.  Apesar da aclamação popular e crítica, a banda teve vida curta com apenas um álbum e uma breve turnê de 1969 que estreou em 12 de julho no Madison Square Garden e terminou em 24 de agosto no Havaí.

Passados alguns anos e a carreira de cada um ficar estratosféricas, resolveram se reencontrar para esse show especial trazendo canções do Blind Faith, do Derek & The Dominos (Outra banda de Eric que durou um disco), do Traffic (banda do Steve) e blues antigo. O motivo da união veio porque durante o Crossroads Guitar Festival de Clapton em 2007, Clapton e Winwood tocaram seis músicas juntos, incluindo algumas músicas do Blind Faith. Após essa experiência bem sucedida, os dois decidiram colaborar novamente. Os shows do Madison Square Garden de 2008 foram os primeiros concertos completos de Winwood-Clapton em quase 40 anos.

Vale cada canção e cada improviso, o show é de 2008, contou com Willie Weeks no baixo, Chris Stainton nos teclados e Ian Thomas na bateria.

4. CROSSROADS GUITAR FESTIVAL 2007

Crossroads Guitar Festival 2007 é o lançamento da Rhino Entertainment e da Warner Brothers para Eric Clapton. O show foi gravado em 28 de julho de 2007 no Toyota Park em Bridgeview, Illinois. As gravações foram lançadas em CD e DVD em 28 de novembro de 2007 nos Estados Unidos. Os lançamentos de CD e DVD venderam mais de dois milhões de cópias em todo o mundo e alcançaram várias paradas internacionais.

Na década de 2000 Eric Clapton já tinha passado por muita coisa, venceu o vício em cocaína e o de heroína que quase o levaram a morte na década de 80 e que nos anos 90 o impediram de estar ali para o seu filho que caiu da janela do 53º andar do apartamento de Nova York na casa da amiga de sua mãe na 117 East 57th Street. A morte do filho trouxe a ele uma profunda tristeza que o fez compor Tears In Heaven, talvez seu maior sucesso. Viu muitos amigos falecerem em acidentes e desastres como Stevie Ray Vaughan e três membros de sua equipe num acidente aéreo, tudo de uma vez. Mas tais fatos o fizeram buscar ajuda e foi para a rehab.

O primeiro concerto Crossroads Benefit foi realizado no Madison Square Garden , Nova York, em 30 de junho de 1999. Mas a versão do festival de 2007 foi a mais impactante desde sua criação, não só pelo line up, mas por todo o contexto da procura dos fãs e cenário da música mundial. Para se ter uma ideia Todos os 28.000 ingressos para os shows foram vendidos em menos de 22 minutos, liderando a tabela internacional de vendas de shows em maio de 2007. Todas as vendas de ingressos são provenientes do evento, bem como as vendas de CD e DVD vão diretamente para o Crossroads Fundação. 

A quantidade real de horas de gravação que foi feita durante todo o dia do show foi de onze horas. O anfitrião dos eventos foi Bill Murray, que também tocou Gloria com Clapton no início do evento. Murray guiou os espectadores durante todo o evento, apresentou artistas e lembrou um pouco de seu impacto no cenário musical americano. Ele também vestiu roupas icônicas que Clapton usou durante sua carreira: o terno e o cabelo que Clapton usava, quando se apresentou no Rainbow Concert em 1973 e esteve com a banda Cream ao longo da década de 1960.

Como dito anteriormente, Steve Winwood tocou umas músicas com Eric Clapton e este foi um dos momentos mágicos. Neste evento Eric convidou uma promessa da música americana naquela época, John Mayer que é uma grande referência da atualidade para guitarristas. Neste show também há o carinhoso depoimento de BB King para Eric que foi incluso no documentário que conta a história de sua vida.

A celebre lista completa dos participantes é composta por: Murrey, BB King, Jeff Beck, John Mayer, The Derek Trucks Band, Sonny Landreth, John McLaughlin, Doyle Bramhall II, Jimmie Vaughan, Johnny Winter, The Robert Cray Band, Los Lobos, Robbie Robertson da The Band, Buddy Guy e o metre de cerimônias, o próprio Clapton, que falou que estes eram os melhores e conquistaram seu respeito pessoal.

Com esse show, de quebra, você conhece o universo do Blues.

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