Review: Code Orange – Underneath

Por Lucas Santos

Não se engane que a banda fique apenas nessa mistura de nu-metal e hardcore, aqui o buraco é mais embaixo e as influências sonoras atmosféricas que eles conseguem mesclar no seu som chega a ser revoltantemente agradável.

Lucas Santos

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Gravadora: Roadrunner Records
Data de lançamento: 13/03/2020

Gênero: Hardcore e muito mais
País: Estados Unidos

Quando a faixa Forever foi indicada ao Grammy Award: Melhor Performance de Metal em 2018, o mundo do metal virou de cabeça pra baixo. A faixa faz parte do álbum de 2017 de mesmo nome que com pouco menos de 35 minutos mudou o rumo que a música pesada tomou dali em diante. A abordagem árdua e lúdica da música extrema que o Code Orange usa deu um duro tiro na cena do metal, anunciando ao mundo que o impacto do nu-metal dos anos 90 e os sons triturantes da cena hardcore moderna faziam perfeito sentido juntos. Desde a sua formação, eles já estabeleceram bases sólidas para o próprio atingindo o ápice justamente com o álbum de 2017. Um divisor de águas.

Não se engane que a banda fique apenas nessa mistura de nu-metal e hardcore, aqui o buraco é mais embaixo e as influências sonoras atmosféricas que eles conseguem mesclar no seu som chega a ser revoltantemente agradável. Em Underneath, o Code Orange segue a sua fórmula. porém mais trabalhada, mais experimentada e mais bizarra e pitoresca. Eu gosto de defini-la como “imaginativa” – Aquela que não segue andamentos, que tem quebradas de ritmo bruscas e sons estranhos, que não deixa de lado a atitude do hardcore e o peso do metal extremo.

O lineup continua o mesmo, Reba Meyers continua sendo uma das guitarristas mais criativas do momento, Jami Morgan tem uma mão pesada atrás da bateria e segue com as maiores partes vocais do álbum, ele gravou as faixas mas ao vivo Ethan Young assumiu as baquetas para que Jami foque apenas na sua perfomarnce vocal. O resto dos membros é o mesmo. Foram 3 anos de sem nenhum disco novo e quase 2 anos de total imersão para que Underneath se tornasse realidade.

Estamos tentando criar uma experiência auditiva completamente diferente para música pesada. É um processo que leva música pesada e música artística e as reúne de uma maneira diferente sem comprometer nenhuma delas. Acho que muitas vezes, quando você desce de um lado e do outro, perde. É por isso que demoramos o tempo que fizemos para fazer Underneath. “

Jami Morgan em entrevista a Rocksounds

O inicio (depperthanbefore) é um aviso de como as coisas serão, ela funciona de prólogo para um dos singles Swallowing the Rabbit Hole, que musicalmente é uma boa representação de onde eles estão decidindo levar o aspecto pesado da banda em termos de misturar o real e o surreal. In Fear parece uma código cheio de glitches. Who I Am é uma música pop quase sonhadora e sombria na superfície, que fica progressivamente mais distorcida e mutilada. Cold.Metal.Place usa a manipulação digital contida na música pesada mas mantendo o coração e a alma da música pesada.

Sulfur Surrounding e Autumn and Carbine tomam caminhos quase inexplorados pela a banda até então. Elas servem como baladas (rs),as linhas grooveadas do baixista Joe Goldman e o canto mais melódico de Reba mais melódica são terras antes pouco acessadas. A Silver começa nessa linah mais melódica e sombria e chega em um refrão realmente poderoso, mas deprimente que passa por um moedor eletrônico assumindo o controle novamente. O faixa título final mistura o hip-hop com ambientações dramáticas. Realmente fica difícil pensar no que ficou pra trás.

Mais longo que o seu antecessor, mais robusto, mais criativo e mais ousado. Se Forever foi um divisor de águas, Underneath é a construção de um império. O Code Orange construiu algo que suga diversos gêneros, como grunge, industrial, death metal, dance music intelectual, e assimila todos eles em um fim coeso. O jovem grupo de Pittsburgh está mudando o som de toda uma geração jovem adulta e vai influenciar muita do que está por vir nos próximos anos. Único e essencial.

Nota final: 9,5/10

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