Review: Tame Impala – The Slow Rush

Por Roani Rock

Imprevisíveis são os rumos da banda Australiana mais lisérgica destes tempos, o Tame Impala de Kevin Parker traz sim diversas sensações em seu 4º trabalho. suavidade, sem composições com punch, mas por sua vez, mais dançante do que nunca. Eles conseguiram de novo!

Roani Rock

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Gravadora: Universal Music Australia
Lançamento: 14/02/2020

 Foi-se o tempo em que o Tame Impala podia ser considerada uma banda de rock psicodélico alternativo ou Indie dos idos 2010. Desde seu primeiro álbum InnerSpeaker o mundo ficou a mercê de degustar algo novo e pretensioso, mesmo que soasse familiar. No Lonerism, álbum de 2012, vemos um pouco mais de timbragens de guitarra diferenciadas, vozes melodiosas e dobradas aliadas a baterias com bastante viradas condizentes ao “fluor” musical da época.

Com o álbum Currents, de 2015, ocorreu uma mudança drástica no som dos caras, as guitarras saíram do destaque e a pressão ficou a cargo de baixos groovados com ambiência de sintetizadores em vozes moldadas a bastante ácido, e sensação interestelar. Som mais leve e dançante, misturado as loucas visões de mundo presentes nas letras de Kevin Parker.

Por sinal, Currents se trata de um álbum bem pessoal para o lider do Tame Impala, músicas como Let it Happen, Yes I’m Changing e Gotta Be Above It trazem uma solidão profunda vivenciada pelo líder da banda na época, assim como ocorre em It Feels Like We Only Go Backwards e You will Never Come Close To How I Feel. É o sonho de um homem só, uma rave psicodélica para dançar, chorar e sonhar.

No disco de 2015 fica fácil se perder em todas as camadas de som surround tecnológico colorido que viaja no tempo, especialmente porque Parker não está realmente tentando ser inteligente ou literário, mas o cabo de guerra interno nas letras do músico australiano – entre tentar melhorar você mesmo e fique presente, ou sucumba aos seus piores pensamentos – faz parte do que mantém os fãs fielmente retornando aos três álbuns de Tame, talvez subconscientemente.

Interessante pensar que cinco anos depois do álbum que elevou o sucesso dos australianos, veríamos eles em mega festivais, shows em arenas, trabalho com Travis Scott, Kanye West e terem a rara honra de receberem apoio de Rihanna em uma canção que a fez dançar. O The Slow Rush, é um misto de vivencias, foi lançado na última sexta – feira e Kevin Parker, que passou no teste do terceiro álbum, traz uma nova temática a ser explorada para consolidar o som revigorante e ao mesmo tempo alusivo tributo aos anos setenta do Currents: o tempo. A faixa de abertura One More Year, a perfeita Tomorrow’s Dust, e a forte balada Lost In Yesterday são bons expoentes da temática.

De uma forma bem Brian Wilson, dos Beach Boys, Parker resolveu pegar pra si todo o controle, fez todos os processos de edição e mixagem do álbum, bem one-man band mesmo. Por isso o álbum é extremamente bem detalhado e perfeccionista. Ele explora bem loops instrumentais que evocam diferentes eras da música. On Track por exemplo é oitentista, uma faixa da era motel, meio AOR ou algo que Daryl Hall ou o Chicago fariam. Ou seja, sonoridade rica e cheia de camadas, produção cristalina e uma forte presença de melodia e refrões fortes.

É certo que soou meio fora de sintonia ao disco anterior o primeiro single escolhido por Parker, a faixa Patience e ainda mais Bordeline, são músicas que caem no quesito da estranheza. Entretanto, desde sexta – feira, a estranheza cai por terra através de canções que evocam o R&B moderno, acid house, rock psicodélico e porque não o prog. Interessante como o som nada convencional do Tame Impala cabe perfeitamente nesse caminho da dance music.

Só de lembrar que Parker sempre esteve apto a colocar bons riffs marcantes em suas canções no início do Tame Impala, faz-se não crer no que está se escutando. Parece ter havido uma ligeira mudança de perspectiva na mente do cantor/compositor: trabalhar com produtores de hip-hop fez com que ele pensasse mais em amostras – como eles unem música de diferentes épocas e gêneros sob uma cobertura.

Há uma sensação de sensibilidade, há também o uso excessivo de percussão e bateria bem ritmadas no estilo boom-bap fazendo natural uma conversação do rock com o hip-hop, remete muito ao álbum Late Registration. As músicas estão com a temática de esperança dessa vez, um Parker bem leve e aparentemente feliz em sua vida pessoal, o que reflete no álbum que progrediu ainda mais no estilo dançante psicodélico.

Na abertura cinética One More Year, a batida inicial do disco surge de trás de um refrão de robô com um efeito tremolo e não para até que todos tenham a chance de se esforçar e posar através do colapso do baixo e da conga. Parker nesta faixa fez o discurso de seu pequeno treinador (“Temos um ano inteiro! 52 semanas! Sete dias cada …”).

O disco vai em vibes conectadas, as músicas se co-relacionam, em Instant Destiny, há um ponto de partida de uma volta da vitória em que ele ameaça fazer algo louco, como comprar uma casa em Miami. Diria ser a minha preferida, quase imediatamente ele lamenta seus impulsos: “Foi um pouco longe“, Uma faixa bem Jamiroquai diria. Em seguida começa então Borderline que já mencionada, não se trata da melhor ou pior do disco, mas só serve para compor ele bem.

Mais tarde, em uma semi-balada sentimental sobre como manter o ritmo (“On Track”), ele parece se perguntar se essa compra é uma ideia tão boa: “Babe, podemos pagar isso?” Parker alterna entre pensamentos positivos e negativos, como é de praxe, mas pelo menos parece que está realmente se divertindo e faz o auditor se divertir junto. É a faixa “mais Kanye West” do disco.

Posthmous Forgiveness parece a junção do instrumental de Redbone do Childish Gambino mais algo do Outkast a uma balada do Led Zeppelin graças aos vocais bem agudos de Parker. É um outro ponto alto do disco. A canção mais diferente do disco remete a Milton Nascimento, se trata de Lost In Yesterday, cujo o instrumental caberia na melodia de Nada Será Como Antes.

Is It True é a canção mais diferente que os caras já fizeram. os tambores e outras formas de percussão trazem um movimento e impedem qualquer ouvinte de se manter parado. Algo parecido com o que ocorre após a audição da repetitiva Breathe Deeper. O reverb cheio de eco da voz de Parker é divertidíssimo.

It Might Be Time é um gracejo indie perfeito. Uma faixa que mostra o que há de melhor na banda refletindo um pouco mais de psicodelia que as outras músicas. Já Glimmer é uma faixa que as discotecas dos anos 70 tocariam exaustivamente, uma bela balada com os efeitos de voz robóticos no nipe Daft Punk. É de certo que o som mais roqueiro dos primeiros álbuns não ira voltar e assim como foi para o Bee Gees, parece ser o caminho certo para o Tame Impala unir o psicodélico ao dançante, o rock ao R&B contemporâneo.

Nota Final: 9/10

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