Review: Sepultura – Quadra

Por Lucas Santos

O avanço obtido em comparação ao Machine Messiah é nítido, e o passo à frente conquistado por Andreas Kisser e companhia é animador e revigorante. Quadra é mais astucioso que o seu anterior e olha pra frente, progressivamente e de forma natural.

Lucas Santos

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Gravadora: Nuclear Blast
Data de lançamento: 7/02/2020

Confesso que não me empolguei muito os materiais recentes do Sepultura em meados dos anos 2000 para cá. A entrada do baterista Eloy Casagrande no começo dos anos 2010 me fez voltar a demonstrar um interesse maior pela banda brasileira, porém o primeiro álbum com Eloy, The Mediator Between Head and Hands Must Be the Heart (2013) foi apenas um bom trabalho, sem muita euforia.

Felizmente, com o lançamento de Machine Messiah (2017) tudo mudou, e o meu interesse pela lenda do metal nacional, e mundial, cresceu de forma ridícula mais uma vez. O trabalho conceitual mostrou um Sepultura arriscando mais, experimentando novos sons e mais à vontade com a nova fase da formação. Foi um álbum excelente e certamente um dos melhores daquele ano.

Três anos se passaram e Quadra, o 15º álbum de estúdio da banda,apresenta uma coleção de músicas que capturam uma variedade de sons e estilos que carregaram os mais de 35 anos de existência deles. O avanço obtido em comparação ao Machine Messiah é nítido, e o passo à frente conquistado por Andreas Kisser e companhia é animador e revigorante. Quadra é mais astucioso que o seu anterior e olha pra frente, progressivamente e de forma natural.

Composto por 12 faixas, o disco está dividido em quatro partes: a primeira captura o icônico som de thrash da banda; o segundo abraça a estilização de esforços passados ​​como Roots; o terceiro se inspira em passagens instrumentais; e a quarta parte se inclina mais para faixas mais lentas e melódicas. Com semelhanças instrumentais aparecendo ao longo do álbum, a maioria dessas seções mencionadas traz um sopro de ar fresco à progressão do álbum. Em particular, a última parte cria uma apresentação distintamente diferente em comparação com a seção inicial e central do registro, permitindo uma visão diferente.

Um ponto chave do começo ao fim é o trabalho de Andreas incrível nas guitarra. Ele é realmente um dos componentes mais fortes do álbum – e da atualidade- como um todo. Desde potentes riffs em Isolation, até as fascinantes palhetasdas em Guardians of Earth, Kisser traz vida a cada momento que sua guitarra está plugada. A bateria de Eloy beira ao absurdo, Ali mostra como o baterista consegue ser brutal e técnico sem desprender características. Os dois músicos realmente elevaram o nível musical e de competência aqui.

Enquanto isso, The Pentagram -a faixa instrumental- vê Kisser, Casagrande e o baixista Paulo Jr. desencadear uma brilhante mistura de instrumentação, exalando uma atmosfera elétrica e de loucura. Os vocais de Derick Green não ficam só concentrados no thrash e death metal como na maravilhosa Means to and End, o vocalista também tenta ser mais melódico em Agony of Defeat e é interessante notar um esforço em busca do inevitável e incomum.

Falem o que quiser do Sepultura, mas não me falem que eles tem medo de reinventar. A variedade explorarada e apresentada pela banda em Quadra traz uma mistura agradável em todas as seções. Claro que os fãs da música mais pesada vão estranhar principalmente a quarta parte, mas certamente as outras três se farão suficientes. Como um todo, a banda fornece intrigas técnicas de primeira linha, utilizando momentos e estilos suficientes para nos manter interessados e com vontade de voltar mais vezes. Um lançamento forte com cara de (re)evolução dos titãs do heavy metal.

Nota final: 8,5/10

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