The Rock List – 55 anos de Eddie Vedder: 5 momentos impressionantes do vocalista

Por Roani Rock

Eddie Vedder surgiu através do projeto Temple of The Dog e consolidou seu lugar no panteão do Rock como um dos melhores vocalistas de todos os tempos através do Pearl Jam. Disso todo mundo sabe e prestar uma homenagem com coisas óbvias como melhores composições não nos pareceu válido.

Neste 23 de Dezembro onde o cara completa 55 anos, decidimos falar sobre 5 momentos em que este impressionou não só pela voz, presença e versatilidade mediante a sua voz grave. Escolhemos também momentos onde Eddie representou o amor ao rock tanto em discursos como em atitudes.

5 – Eddie o Rock ‘and’ Roll Hall Of Fame

Para introduzir ao Ramones no seleto grupo Eddie Vedder surgiu travestido de punk usando não só roupas de couro mas também um moicano. A homenagem se justifica frente a suas palavras que ressoaram por 17 minutos de forma séria enfatizando o quanto era impressionante o Ramones ter feito tanto cantando “1,2,3,4” fazendo pequenas canções durarem infinitamente.

Ainda sobre o tema Rock ‘and’ Roll Hall Of Fame, quando chegou a vez do Peral Jam ser induzido eles convidaram o apresentador David Letterman para fazer o discurso. O lendário apresentador já estava aposentado da CBS e do seu programa Late Late Show. O homem apareceu barbudo sendo ovacionado e agradeceu o convite dizendo que quem deveria estar era o Neil Young, entretanto, é inegável que Letterman estar lá não era por acaso, não foi só por seu carisma, ele é amigo de Eddie e da banda, tanto que termina o discurso falando de um presente que Eddie deu para o filho de Letterman, um violão onde incentivava o garoto a ser músico e que “tocar é igual a pescar, com a música se pesca boas canções”

4 – Eddie e os ídolos

Difícil dizer ao certo qual foi a primeira dobradinha do Eddie Vedder com alguma banda consagrada ou quando se tornou uma figura tão popular entre os consagrados do rock.

O vocal do Pearl Jam, diferente do rival – só pela mídia – Kurt Cobain sempre foi um “boa praça” que todos gostavam de ter por perto. Em 1995 Neil Young convocou o Pearl Jam para fazer um álbum em conjunto, deixando seu Crazy Horse descansar um pouco e aproveitando da juventude dos rapazes que estavam na crista da onda. A parceria fez nascer o álbum Mirror Ball que tem a música Peace and Love que consta backing vocals e co-composição de Eddie. Infelizmente a banda por questão de contrato não pode ser mencionada nos créditos. O álbum rendeu a categoria disco de ouro em vendas para Neil.

Após tal momento marcante para carreira do Pearl Jam, Eddie também foi procurado por outro de seus ídolos, Johnny dos Ramones o convidou para acompanhar a tour na América-latina de despedida do álbum Adios Amigos. Ele foi apenas para fazer companhia ao guitarrista que não se sentia bem estando numa terra que idolatrava os Ramones como os americanos idolatravam os Beatles, ele não soube lidar com a recepção calorosa e precisava de um amigo já que não tinha bom relacionamento com os outros membros da banda percursora do Punk.

Eddie veio a tour que passou pelo Brasil, ficou disfarçado o tempo todo e esteve com Johnny no quarto de hotel dando saídas esporádicas ao lado do guitarrista bem a noite para conhecer a cidade sem sair do carro. Foi para os shows se fingindo de roadie e assim que descobriu o quanto o Brasil era um bom lugar para se tocar falando sobre isso até no já citado discurso de indução do Ramones ao Rock ‘and’ Roll Hall Of Fame. No discurso ele diz que os EUA deveria ter tratado os Ramones da mesma forma que a América Latina fez.

Ter seu nome dado com grande reconhecimento não é para todos. O do Eddie Vedder quando anunciado em uma apresentação sempre será celebrado e é impactante o quanto que a qualidade de sua voz faz qualquer música tornar-se sua de certa forma. Ele da vida as canções em suas interpretações, mesmo se tiver uma falha, Eddie estar ali já é um real acerto. abaixo vão algumas interpretações que comprovam meus dizeres.

Com o The Who em 2000 numa celebração latente é fácil de perceber.

Com o Doors no Rock and Roll Hall Of Fame também. Curioso que este esteve de fora do Storytellers de um ano depois que homenageou a banda que lançara seu último álbum com Jim Morrison a 30 anos. Eles usaram o programa como mediador para ver quem iria assumir o posto do lizard king para uma turnê. Lá estavam seis diferentes cantores: Scott Weiland do Stone Temple Pilots, Scott Stapp do Creed, Perry Farrell do Jane’s Addiction, Pat Monahan do Train, Travis Meeks do Days of the New e por fim Ian Astbury, a voz do The Cult que ficou com o posto onde a banda assumiu a alcunha de The Doors of The 21st Century e Riders On The Storm.

Essa não convocação de Eddie se tornara um pouco óbvia já que o Pearl Jam e seus fãs não permitiriam Eddie a assumir uma outra banda, ainda mais uma de tamanha relevância, a conciliação de agendas não rolaria. Eddie introduziu o Doors e cantou com eles no Rock ‘and’ Roll Hall Of Fame e podemos curtir abaixo tal momento.

No dia 12 de Dezembro de 2012 teve um mega evento que reuniu grandes músicos do cenário mundial como Paul McCartney, membros do Nirvana, Bon Jovi, Bruce Springsteen, o The Who e Roger Waters. Esse último convidou Eddie Vedder para cantar o hit atemporal Confortably Numb. Eddie, assim que começa a cantar sua parte que era o refrão arranca aplausos em pleno frisson ensandecido da plateia.

3 – Eddie Hollywoodiano

Essa aqui é conhecida da grande maioria dos fãs. Ele compôs sozinho a trilha sonora do filme Into The Wild. Mas sua inserção ao ambiente hollywoodiano não fica só por conta desta obra prima, inclusive, o músico chegou a fazer outras duas contribuições para filmes.

O diretor Sean Penn escolheu Vedder para fornecer a música do filme Into The Wild,por uma questão maior do que apenas reconhecimento, dá para colocar como amizade também ou até algo funcional. De todo modo, veio a calhar já que Eddie estava pensando em providenciar um álbum solo. 

Anteriormente, Vedder trouxe músicas para a trilha sonora do filme Dead Man Walking de 1995. As faixas foram The Long Road e Face of Love. Depois fez uma versão de “You’ve Got To Hide Your Love Away” dos Beatles para a trilha sonora do filme de 2001 I Am Sam , ambos estrelados por Penn quando ator.

As músicas da trilha do Into The Wild foram gravadas em 2007 no Studio X em Seattle, Washington. Vedder viu um corte bruto do filme e iniciou o processo de composição e com o apoio do produtor Adam Kasper, que já havia trabalhado no álbum Riot Act de Pearl Jam em 2002 e no álbum Pearl Jam em 2006, começou a “pescar as músicas” . 

Vedder descreveu o processo de gravação como uma “fábrica”. Ele disse:

“Eu apenas me sentava na cadeira, e eles me entregavam um baixo sem trastes, e eles me entregavam um bandolim, e eles levavam um segundo para fazer a mistura áspera, e então eu escreva o vocal, e foi rápido. “

 Thom Jurek, da Allmusic, chamou a trilha sonora de “uma coleção de músicas folclóricas e radicais, onde o rock & roll faz aparências fugazes”.

Recentemente teve algumas outras peculiaridades no mundo cinematográfico com Vedder. Ele fez uma versão de “Room At The Top” para o momento de homenagem as pessoas que se foram em 2018.

Em 2018 também saiu o filme A Star Is Born que foi dirigido e escrito por Bradley Cooper. Com esse filme o ator que estreava seu primeiro filme como diretor queria Eddie Vedder para o papel principal. O músico de prontidão não aceitou o convite por conta de ser um músico e não ator. A solução que Bradley encontrou foi manter ao menos a caracterização do protagonista inspirada em Eddie.

O que ocorreu foi a questão de não só isso rolar, as músicas que compostas por Bradley em parceria a Lukas Nelson traziam um clima mais country poderiam muito bem ter sido feitas por Eddie já que o diretor se baseou muito na trilha de Into The Wild. Eddie também percebeu isso e em sua turnê solo que passou pelo Innings Music Festival Tempe do Arizona (onde o protagonista da história é), ele tocou a faixa Maybe It’s Time de forma séria e divertida.

2 – Eddie Político e Global

Através de uma ação judicial e um boicote forte a Ticketmaster cancelando sua turnê conferíamos o víeis de Vedder e o Pearl Jam de forma tão visceral quanto o clipe Do The Evolution. A Rolling Stone chamou de “briga de Golias contra Golias” pelo tamanho dos envolvidos.

Vist como um ato de Robin Wood, em 1994 Eddie Vedder e companhia resolveram estabelecer novos parâmetros de vendas de ingressos pra sua turnê daquele ano. O grupo havia acabado de ser alçado ao patamar de príncipes do grunge rivalizando com Nirvana. Os três primeiros discos, “Ten” (1991), “Vs” (1993) e “Vitology” (1994), garantiram os excelentes números que batiam treze milhões de cópias (pra se ter uma ideia, “Ten” vendeu, no acumulado até hoje, 30% a mais do que “Nevermind”).

A banda, entretanto não contava que estavam num terreno longo e tortuoso. O ponto nevrálgico foi a taxa de conveniência estipulada em US$ 1,80, ou 10% dos ingressos vendidos a US$ 18. A taxa era discriminada e clara aos consumidores. Já a Ticketmaster estava acostumada a cobrar até 30% e sem especificar os motivos. O Pearl Jam entrou com uma queixa antitruste contra a empresa e o Departamento de Justiça dos EUA começou uma investigação federal pra tentar estabelecer se havia realmente monopólio e práticas abusivas da Ticketmaster.

Os heróis do proletariado todavia perderam nesta longa batalha por falta de argumentos e possibilidade de continuar, o desgaste seria maior. A Ticketmaster era só uma parte do problema estrutural da venda de ingressos. Se olharmos para como estamos na era da internet, voltou-se a estaca zero e não há como controlar. Mas, o Pearl Jam provou que o artista tem voz ativa para essas questões e tem força suficiente para tocar na ferida do mundo dos empresários.

Eddie também é responsáveis por questões ligadas a conservação do planeta, pratica e participa de ONGs voltadas ao meio ambiente e prega muitas coisas sociais e humanitárias em seus shows solos ou com o Pearl Jam, seja refletindo os tempos ou como estamos agora.

Shows beneficentes são fáceis de contar com sua presença, em 2010 no Menphis se apresentou ao lado de Johnny Depp no evento em prol da libertação de três jovens presos injustamente pela morte de crianças na região. Ele também esteve presente no evento da Let’s Girl Learning de 2015, ONG focada na educação de qualidade, inserção das mulheres no mercado de trabalho em condições similares aos homens. Também em 2015 Vedder interrompeu o show do Pearl Jam no estádio do Morumbi para falar sobre os atentados de Paris. Ele leu em português: “Nosso amor vai para Paris, temos muito o que superar juntos.”

Fora do terreno americano também ocorreu presença do cantor e do Pearl Jam em mobilizações sociais contra injustiças. No evento Ni Una A Menos da Argentina, movimento contra o feminicídio e violência contra a mulher, o músico se fez presente. Em ato mais global incluiu a música ‘Skipping’ no álbum ‘Every Mother counts vol 2’ que tem a renda destinada para a ONG de mesmo nome que luta pela diminuição da mortalidade de mães.

Ele também fez protestos para presidentes como George W. Bush, em show de 2004 colocou uma mascara com o rosto do ex-presidente norte americano no suporte do microfone a tirou de lá e depois pisoteou. 10 anos depois, numa posição contraria as guerras, em um show feito em Portugal, Vedder tocou “a música mais poderosa já escrita”, Imagine do John Lennon pedindo para o público cantar com ele em uma só voz para manterem a esperança e as pessoas que estão nessas zonas saberem que não estão sós.

Por fim Eddie em 2015 anunciou que a banda doou 100 mil dólares para Minas Gerais mediante ao desastre de Mariana. Em show feito em Belo Horizonte no Mineirão ele disse que os responsáveis tem que ser severamente punidos.

1 – Eddie Vocalista do Pearl Jam

Contradizendo um pouco da introdução do texto, para o primeiro lugar dessa homenagem ao aniversariante não tinha melhor forma de terminar do que enfatizando ele ser a voz do Pearl Jam e ainda por cima o principal letrista.

Claro que é um erro dizer algo como “ele é o Pearl Jam“, seria muito rude já que Mike McCreadyJeff Ament e Stone Gossard estavam ao lado dele desde o início e passaram por todo desenvolvimento criativo das composições desde então com o baterista Matt Cameron só podendo prestar a esse luxo em 1998. Todos esses caras são grandes demais e muito importantes para toda uma década e ainda a representando, sim os anos 90, que tem a cara do Nirvana mas que também tem a do Pearl Jam. Eddie Vedder entretanto é a pérola dessa banda, o garoto propaganda se quiser colocar assim.

Não teríamos as trilhas sonoras de nossas vidas: Jeremy, Alive, Just Breath, Sirens, Yellow Ledbetter, Do The Evolution, Even Flow ou a poderosa Black não existiriam sem Vedder. Não teríamos Ten, Vitalogy, Lightning Bolt, Vs., No Code, O Pearl Jam de 2006, Backspacer, Yield ou Binaural em nossas coleções de discos sem o vocalista.

Isso pode soar como o texto de introdução de Eddie Vedder solo ao Rock ‘and’ Roll Hall Of Fame. Por sinal introduzi-lo será um desafio gritante para o que for responsável para fazê-lo, já que o homenageado em questão é alguém que fez isso várias vezes e muito bem por sinal. Mas a realidade é que, é difícil alguém ter o que falar mal do Eddie Vedder, eu me recusaria. Que o Eddie tenha uma vida longa e próspera com muitos shows para 2020.

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