Review: Tarja – In The Raw

Por Lucas Santos

Tarja deu uma nova abordagem ao álbum, inserindo mais vigor elementar, mantendo o estilo operístico altíssimo e os movimentos clássicos climáticos, mas ao mesmo tempo esses procedimentos eram injetados com guitarras e energia mais cruas e metálicas.

Lucas Santos

Mais heavy metal:
Destruction – Born To Perish
Possessed – Revelations of Oblivion
Knocked Loose – A Different Shade Of Blue 
Amon Amarth – Beserker
Suicidal Angels – Years Of Aggression
Killswich Engage – Atonement

Gravadora: earMUSIC
Data de lançamento: 30/08/2019

Tenho que ser sincero, desde que Tarja Turunen saiu do Nightwish eu acompanhei pouco a sua carreira solo. Durante seus 14 anos fora da banda que a consagrou, a cantora finlandesa não foi nada senão prolífica. In the Raw é seu sétimo álbum solo e segue o álbum de Natal de 2017, From Spirits and Ghosts, e o álbum de metal sinfônico de 2016, The Shadow Self. No que diz respeito à sua música, ela tem tantos discos solo quanto os álbuns do Nightwish, então talvez seja a hora de deixá-la sozinha, sem comparações? Justíssimo

Comecei a escutar o álbum com expectativas medianas. Embora Tarja seja uma cantora incrível, uma diva da ópera, sua produção musical em seus trabalhos solos pode ser considerado mediana. Até seu melhor disco, What Lies Beneath (2010), falhou em entregar algo além de satisfatório. A cantora continua usando seu grupo confiável de compositores, músicos e produtores, que não mudaram muito, o que também não ajudou para melhorar as expectativas.

Tarja deu uma nova abordagem ao álbum, inserindo mais vigor elementar, mantendo o estilo operístico altíssimo e os movimentos clássicos climáticos, mas ao mesmo tempo esses procedimentos eram injetados com guitarras e energia mais cruas e metálicas. Dead Promises é uma ótima música de abertura, cativante com um refrão bem suave e melódico, ela tem a participação de Björn Strid, vocalista da Night Flight Orchestra. Em Goodbye Strangers as coisas começam a ficar um pouco estranhas, a faixa tenta ser várias coisas ao mesmo tempo e fica bem confusa, ela tenta ser pop, grooveada, pesada e o produto final acaba se tornando um belo nada, o dueto com Cristina Scabbia (Lacuna Coil) acaba não funcionando direito.

É interessante notar que em ambos duetos, a cantora finlandesa se põe muitas vezes como coadjuvante. Felizmente Tears In Rain repõe o trem nos trilhos e nos entrega algo mais cru e com tendências pop, uma batida bem simples mas cativante.

Algumas escolhas podem ser questionadas durante o processo, por exemplo Spirits Of The Sea está fora do lugar, assim como The Golden Chamber: Awaken / Loputon Yö / Alchemy, não me leve a mal, a música é um instrumental belíssimo, as únicas voz presente é a da cantora, que acompanha o instrumento fazendo sons mais líricos e operísticos, mas dentro do conceito do álbum, ela fica meio sem sentido e quebra uma boa sequência. Uma música nota 10 sozinha, e dentro do álbum é nota 5.

You and I mostra um lado que eu não conhecia da cantora, uma balada romântica que fala de relacionamento. Pra quem curte músicas mais profundas e carregadaas de emoção, um prato cheio. Silent Masquerade, última faixa com participação, desssa vez de Tommy Karevik (Kamelot) é também a melhor música em conjunto do álbum. Bem trabalhada, ela conseguiu sugar as melhores características de cada vocalista com uma ambientação macabra e riffs grossos. No álbum inteiro, a produção é imaculada. Serene e Shadow Play fecham muito bem e são as que mais se assemelham ao Nightwish, aqui sentimos uma Tarja jogando num ambiente em que ela se sente 100% confortável.

Não sei ao certo a longevidade de In The Raw, mas de longe foi o trabalho solo de Tarja que mais me pegou de imediato. A produção é belíssima, as participações são bem vindas e as mudanças propostas funcionam na maioria das vezes, posso dizer com segurança que esse é um álbum pelo qual seus fãs esperam desde 2005. Tarja Turunen e sua equipe realmente não brincaram em serviço nesse disco. Como disse anteriormente, talvez ele perca força com algumas audições ao longo do tempo, mas no momento, é o melhor disco de sua carreira solo e um destaque no mês de Agosto.

Nota final: 8/10

6 comentários

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: