Reviews: Duff McKagan – Tenderness

por Roani Rock

Evocando as melhores influencias do country e folk rock, o baixista Duff McKagan faz o álbum mais tradicional americano que algum Gunner poderia cogitar em fazer.

Roani rock

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Gravadora: Universal Music Enterprises

Data de Lançamento: 31 de maio de 2019

Os três pilares inabaláveis do Guns NRoses souberam conduzir suas carreiras solo. Alguns com maior sucesso e outros sem o deleite de agradar a mídia, entretanto, todos com apoio incondicional dos fãs desse marco do hard rock oitentista.

Está certo que o Axl Rose seguiu usando o nome da banda, mas o Chinese Democracy, que é como uma transformação do som do cantor para o rock industrial, foi totalmente idealizado por ele e o tempo que demorou para ser produzido tem sua influência.

Slash para o primeiro trabalho sem seus companheiros de Guns e do Velvet Revolver fez um disco repleto de cantores do panteão do rock como Ozzy, Chris Cornell, Lemmy, Iggy Pop e nomes de pura extravagância como a Fergie, sexy symbol vocalista do Black Eyed Peas e o Adam Levine do Maroon 5. Depois desse álbum ele se uniu a Myles Kennedy (que participou em uma faixa do primeiro álbum) e formaram o grupo The Conspirators com quem lanço três álbuns muito elogiados pela crítica incluindo Living The Dream do ano passado.

Duff McKagan por sua vez lançou seu primeiro álbum solo em 1993 logo após sua saída do Guns em paralelo a banda The Fartz a quem se uniu em 1990. Ele não parava de contribuir com outros grupos e além do The Fartz integrou o Neurotic Outsiders e o 10 Minute Warning na década de 90 lançando em 1999 o Beautiful Disease seu segundo trabalho solo.

Nada muito grandioso ou que causasse algum murmurinho da mídia, ele então veio com a banda Loaded em 3 discos durante os anos 2000 alinhado com a mega banda Velvet Revolver que tinha amigos do Guns envolvidos. Com o Velvet lançou o Contraband alcançando seu primeiro número 1 que atingiu os fãs fervorosos do Guns, sua principal fonte. Mas Loaded que tinha o baixista como frontman não estourou e ficava até de lado e esquecida assim que o Velvet ficou grande de mais. Ao fim do Velvet Revolver em 2008, ele ficou sem ter onde correr e seguiu com o Loaded que em 2011 lançou seu último trabalho, com uma qualidade maior que a dos anteriores o novo disco atraiu o Axl que fez uma reconciliação chamando a banda do baixista pra fazer a abertura de uma turnê do Guns N’ Roses.

Em 2016 o Guns N’ Roses resolveu voltar com Slash e Duff como membros e ninguém esperava que em 2019 seriam um dos retornos mais lucrativos com turnês em mega festivais e estádios do mundo todo com a promessa de um novo álbum inclusive. Em meio a esse turbilhão de emoções saiu no dia 31 de maio o novo álbum da carreira solo do Duff.

Muitos podem se perguntar, mas pra que? E até qual a necessidade? Posso responder por ele com tranquilidade que não existe uma resposta melhor do que ” porque ele pode”. Duff saiu da zona de conforto e evoca um lado bem americano ao fazer de seu terceiro disco uma ode ao country e o folk rock. Nada de Hard, nada de solos cheios de band e distorção. Pura e simplesmente canções ao violão.

Não é um disco para fãs de Guns, não é um disco para fãs de hard rock, mas certamente um disco para fãs da música tradicional americana. Se fosse pra fazer uma alusão a algum brasileiro seria a mesma coisa que o Marcelo ‘suicidal’, vocalista do Dead Fish, fazer um disco de sertanejo. Sendo que essa comparação bizarra talvez desse errado. (risos)

No caso do Duff deu muito certo! A música Tenderness que intitulada o álbum, It’s Not Too Late, Last September, Chip Away, trazem a tona a referência aos Byrds e Willie Nelson em bons vocais e melodias lindíssimas em slide guitar e violinos.

“Chip Away é uma espécie de ferrovia contra notícias televisionadas e agendas divisivas… tudo pelo dólar, pelo todo-poderoso”, comenta Duff em uma entrevista pós lançamento do single. “A música também destaca o fato de que a história se repete várias vezes e que todos nós passaremos por isso juntos.”

Cold Outside é a minha preferida, traz uma linha de baixo excelente do Duff e fica mais moderna pela levada da bateria. E há um dueto vocal do baixista que traz de forma linda a mensagem da música que é sobre a busca da crença em Deus.

Trata-se de um disco bem pessoal com as temáticas envolvendo a vivencias de Duff tanto nesse retorno ao Guns para a Not in This Lifetime… Tour e o que está na sua autobiografia “Como ser um homem” que fala sobre a vida dele como um músico e o tratamento do seu vício em heroína e cocaína.

Embora, é claro, tenha sido uma experiência incrível, no final das contas, decidi que as idéias que giravam em minha cabeça eram mais adequadas para um disco. O desgosto, a raiva, o medo, a confusão e a divisão que vivi ao viajar neste nosso globo coagiram essas palavras em canções que dizem a minha verdade, e espero que se espalhem e ajudem a todos nós.

Duff em entrevista ao Planet Rock

Como não é um álbum visando o mercado não chegou a atingir grandes marcas, mas quem liga. Duff está certo em respirar novos ares e tomara que se mantenha criativo para o novo álbum do Guns N’ Roses.

Nota final: 7/10

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