Review: Scalene – Respiro

Por Roani Rock

Saindo do comodismo e distorção, esse é o álbum menos Scalene dos brasilienses. Entretanto, é o álbum mais brasileiro e musical do grupo. Uma faca de dois gumes, funciona mas foi arriscado.

Roani Rock

Gravadora: SLAP
Data de lançamento: 24 de julho de 2019

Longe de ser um novo álbum de stoner rock brasileiro, pode ser dito que estão vendidos ao sistema da nova MPB meio indie dos últimos 5 anos ou mais.

Chamaram gente de peso como Hamilton de Holanda e o gigante Ney Matogrosso para apoiar um trabalho criativo com letras bem trabalhadas e arranjos de primeira categoria.

Não me cabe fazer julgamentos se a mudança sonora veio para expandir experiências criativas ou se adequar ao que as gravadoras acham que é o seguimento que todo artista tem que seguir, mas a verdade triste é que o rock que o Scalene fazia em Éter e no primeirão Real/Surreal não vende, não é comerciável.

Com Hamilton de Holanda na faixa de abertura intitulada Vai Ver os rapazes de Brasília trazem toda a qualidade de seus músicos. É interessante ver a mudança drástica dos caras que fez com que grandes nomes da nossa MPB quisessem trabalhar com eles.

Esse Berro, faixa em que Gustavo Bertoni divide vocais com Ney Matogrosso é bem intimista e forte. Letra bem pesada e ao mesmo tempo bonita. Se eu visse que dá para compor coisas que se encaixem ou que a minha banda está propensa a tocar amba para que esses gigantes respeitados, não só em âmbito nacional, mas mundialmente eu faria com um sorriso estampado no rosto.

As outras músicas tem o impressionante desempenho de Tomas Bertoni (guitarra), Lucas Furtado (baixo), Philipe Conde (bateria) em seus respectivos instrumentos, escute sem parar Tabuleiro, Casa Aberta e Percevejo. Mas o restante das canções são repetitivas, muitas baladas e introspecção.

Baterei mais vezes na tecla que Gustavo Bertoni, mesmo estando em um caos em sua vida pessoal, tem as melhores letras dentre as dos compositores atuais, todavia, ao se alinhar ao samba e outras vertentes da MPB se perde querendo dialogar com esse estilo caindo na mesmice da música atual que diz muito sem dizer nada.

Que esse disco tenha sido uma experiência e não um novo caminho. O rock vem perdendo muitas banas boas por conta do que o mercado dita como o que atrai público e vendas.

Nota final: 7/10

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