Review: Remastered: Devil at the Crossroads

Por Roani Rock

Remastered: Devil at the Crossroads lançado recentemente pela Netflix é um filme diferenciado dentre os documentários que abordam música. Mesmo que possuindo todos os moldes tradicionais e atuais como a utilização de ilustrações para apresentar uma cena contada por algum dos entrevistados.

Primeiramente, o filme fala sobre o folclore mais popular do Blues americano de quê Robert Johnson teria vendido a alma ao Diabo para aprender a tocar guitarra de uma forma que o ajudasse a alcançar o sucesso. Esse ponto de partida é importante porque conduz todo o enredo do que é contado sobre o que aconteceu no antes e no depois do pacto do músico.

Em segundo lugar, o time de entrevistados é importante. Ídolos famosos como Keith Richards dos Rolling Stones e Taj Mahal, ex-namorada, filho e netos do músico dão também seu depoimento enriquecendo as informações passadas principalmente por amantes da obra do Robert e que realmente buscaram dados para que o filme ficasse dentro da realidade e não soasse como um disse me disse assumindo um papel de apenas tornar o folclore midiático. Para isso, ter entrevistas com pessoas que o conheceram e tocaram com ele também foi essencial.

A forma como a história é contada e os entrevistados conduzirem toda a jornada do nosso herói das 7 cordas é impactante. Você vê que o mito é um ser humano que assim como é dito no final do filme trata-se da metáfora de uma figura ir a uma encruzilhada para definir o caminho que seguiria sabendo de tudo que teria de abrir mão. Só que esse “abrir mão” é potencializado nas letras de Johnson tendo ganhos espirituais. O que nos leva a parte da história que é mais importante que fala sobre a crença no ocultismo e o papel determinante das igrejas sobre as pessoas fazendo com que a teoria do pacto não soe algo absurdo, mas que certamente fez com que já naquela época Robert Johnson tivesse que suportar um grande estigma social.

O filme consegue falar sobre a história de Robert Johnson, sobre o misticismo, sobre religião, preconceito, sobre sua técnica, o seu diferencial frente a todos da época – importante ficar atento a tudo que é contado por John Hammond nesse ponto específico – e a morte com mais teorias sobre o clube dos 27 ao qual o Johnson foi o primeiro a entrar. Por isso é um documentário diferenciado, por conseguir tratar de todos esses assuntos em em 48 minutos e 50 segundos de uma forma que, apesar de rápida, bem eficaz.

O filme não faz o papel de humanizar Robert Johnson, ele é uma celebração ao percursor de um estilo que influenciou todos os outros que vieram depois dele e o papel principal da obra é que certamente vai fazer o espectador, após o término do último segundo do documentário, abrir uma nova aba e procurar o álbum de Robert Johnson para escutar as únicas 29 faixas gravadas e ai sim ter uma completa compreensão do que foi essa lenda do Blues da década de 30 que inspirou tanta gente.

Nota Final: 10/10

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