Planet Hemp queimando tudo até a última ponta do Morro da Urca

Por Roani Rock

No sábado (06) o Planet Hemp apareceu de volta na praça para um show de luxo num dos points mais bonitos do cartão postal do Rio 40º, cidade maravilha purgatório da beleza e do caos, o majestoso Morro da Urca.

Duas semanas atrás o D2 fez um show de sua carreira solo no mesmo local e pelo que foi dito pelo público que chegou a ir era um clima mais leve, com tudo começando as 16hrs da tarde, palco colorido, bem família. Mas com o Planet tinha que ser no horário em que se vira abobora. Um show como o do Planet precisa do brilho da noite e um público diversificado concordou com a ideia.Não só a high society esteve presente, assim como amigos dos integrantes então teve um clima de banda para fã no quesito “Rap-rockandroll-psicodelia-hardcore-ragga”da coisa. O “pesadelo do pop” apareceu as 2 da matina no palco montado.

Som com muita qualidade, o Morro da Urca traz uma boa ambientação para fazer shows e apesar dos preços surreais para o consumo de bebidas – uma água era 8 reais!, compensava por conta do Planet trazer toda a contestação das letras de músicas compostas por Skunk, Marcelo D2, Black Alien e B Negão.

No telão, antes do Planet entrar já começou o protesto do grupo, seja ao som de Bezerra da Silva ou as mensagens políticas contra o atual governo, contra a adoração a ditadura militar de 1964 aclamada pelo denominado pela banda como “Bolsonazi” e a lembrança do caso dos 117 fuzis encontrados no condomínio na Barra onde o presidente em exercício residia foram a ponta sendo ascendida. E então o show começa!

O Planet teve sua dose de repressão no início da carreira na década de 90 em um período que já não era da ditadura militar, mas as regras de boicote e censura seguiam as mesmas. Músicas com a temática da maconha eram uma novidade que conquistou os jovens e irritou os censuradores, porque entenderam o que as letras passavam. Mais de 20 anos depois a censura pode até ter “fraquejado” apesar de ainda se sentir incomodada, mas a adoração a banda parece ter chegado para as novas gerações e tende a crescer.

foto/divulgação: Roani Rock

Em algumas conversas passadas com Formigão, o baixista da banda e que segundo Marcelo D2 no show do Morro da Urca é o membro mais importante e formador do conjunto, nota-se que as músicas – principalmente as do disco Usuário, falam sobre a relevância em olhar os pobres e o pessoal do morro com olhar de respeito e apoio, questionar a forma como é maquinado o sistema e não só sobre a liberação da erva.

Um artista só é artista se ele questiona o seu tempo” diria Nina Simone, uma artista que também olhava para as questões sociais. baseado nessa declaração, o Planet estar sempre lotando os shows e ter essa voz ativa é muito positivo. Eles voltaram no ano de 2013 na época de transição do governo Dilma para o de Temer o alvo deles na época era o senado, três anos depois foram a primeira banda brasileira a ser headline de um festival, fechando a noite do lollapalooza de 2016.

A apresentação teve seu set com a funcionalidade de agradar com um pouco de cada disco da banda. Abriram o set com o que há de melhor do Usuário de 1994. “Não compre, Plante“, “Legalize Já”, “Dig Dig Dig”. Na sequência a música Planet Hemp, Queimando Tudo, Mary Jane. Todas em versões mais rápidas que as habituais. Neste show assumiram o lado “100% Hard Core”. Prova disso é que em dado momento Crise Geral do Ratos de Porão foi tocada junto com Boquinha que escreveu a letra.

Os caras sempre tiveram muito a dizer e homenagearam todos que também disseram muito, mas só que por polco tempo. Como é de praxe D2 e B Negão relembraram de Chico Science, Skunk, Sabotage e Chorão em Samba Makossa. Foi um momento até emocionante com a imagem desses ídolos aparecendo até com a voz do Chico no início.

o set fecha com as poderosas A Culpa é de Quem? e Mantenha o Respeito!, entretanto, Marcelo D2 pede pra banda e Pedrinho(bateria), Formigão(baixo), Nobru(guitarra) e o novo membro dos teclados, o xará do batera, Pedro.

O lugar pode até não ser o mais indicado para receber o Planet, pode ter quem diga que não combinou, eu já acredito que deu liga e tudo foi bem entendido e legalizado pela produção do evento, diga-se de passagem. Foi um show feito para os fãs, para novo público conhecer os hits e o Planet foi recebido com bastante divertimento, rodas punks e bateção de cabeça. Marcelo D2 disse que seria histórico e foi.

O clima de um show dos caras é igual em todo e qualquer lugar. A questão é saber que a “Ex-Quadrilha da Fumaça” traz momentos vividos em intensidade com uma energia que queima tudo até a última ponta seja quem tem ceda, quem traz o isqueiro ou quem só quer estar ali. Se você sair com um sorriso no rosto e tendo fé de melhorias sociais, pode ir tranquilo porque ficou tudo entendido. Se não… vai de novo e pega a mensagem.

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