RAGE AGAINST THE MACHINE – O Impacto do contra-ataque em três álbuns.

Por Lucas Santos e Roani Rock

Uma banda quando é capaz de marcar uma geração tem algum fator importante que a tornou popular, seja algo chamativo na aparência dos integrantes, seja o que eles têm a dizer de forma assimilável de fácil compreensão ou o formato das canções com aquela fórmula de estrofe pequena/ponte/refrão magnífico. Bem, os personagens centrais desta postagem fogem a essas regras e de muitas outras, principalmente se for contra o que eles acreditam ser o correto.

A começar pelo nome da banda, Rage Against The Machine que em tradução literal é “Raiva Contra a Máquina”. Claramente algo que ao se ler não há uma interpretação amistosa possível, mas com certeza algo de impacto o que terminava por chamar a atenção. Californianos que respiraram o início do avassalador rap do gueto americano e o hip-hop trouxeram um som novo misturando de tudo o que já foi contra o sistema em seu som adicionando letras de raiva e protesto.

Os anos 90 pode ter tido várias faces, mas certamente a do Rage Against The Machine foi a mais presente e que mais incomodou, até porque ficou de maneira proativa justamente só durante a década. Abaixo breves analise que leva ao entendimento do porque da banda ter marcado um alvo no sistema, feito a sociedade mundial pensar e a vida dos integrantes sofrer mudanças importantes.

Rage Against the Machine (1992)

Ainda é difícil medir o impacto que o debut do grupo californiano gerou na indústria musica. Toda aquela raiva transformada em letras politicamente incorretas, com efeitos nunca antes vistos por parte da guitarra de Tom Morello, trouxe um som singular à banda. Clássicos do poder e da qualidade de Killing in the Name, Bombtrack, Know Your Enemy, Bullet In The Head, Take the Power Back influenciaram gerações e falaram diretamente com o ouvinte aflorando todos os jovens reacionários de esquerda. Um lançamento que pode ser comparado com o Nevermind (1991) e Appetite for Destruction (1987) no impacto da indústria fonográfica.

Rage Against the Machine é um disco radical de funk, rap e rock. Por meio de seu poder, continua sendo um material essencial ao ativismo e uma lição necessária sobre como resistir à oposição. Um clássico do rock e certamente o melhor trabalho do grupo de Los Angeles.

Evil Empire (1996)

No seu segundo álbum o grupo se abraçou mais suas influências de Jimi Hendrix, Led Zeppelin à Jeff Beck e é onde a ban6da deixa o som mais pesado de lado e foca nas partes de rap do vocalista Zack de la Rocha. Fazendo melhor uso da dinâmica, o guitarrista Tom Morello extrai uma surpreendente variedade de sons de suas cordas e pedais de efeito. Com certeza é um álbum popular, alavancado pelos seus surpreendentes 5 singles, um deles a famosíssima Bulls of Parade (faixa de Guitar Hero) mas é de longe o que de melhor o grupo pode apresentar, ainda mais depois do impacto causado pelo primeiro disco.

As letras e atitudes continuam a mesma porem, o som se perdeu numa mistura de influências que acabaram deixando o álbum sem um som característico e fugindo a personalidade da banda.

The Battle of Los Angeles (1999)

O ano era 1999, final de uma nova década, de um século e para o ultimo álbum de estúdio o RATM buscou uma conclusão digna. Battle of Los Angeles é o terceiro álbum da banda. O disco que leva o nome da cidade dos californianos é certamente algo maior que um mais do mesmo, a começar pela primeira faixa Testify, uma ode ao caos! Eles realmente não estavam no mundo da música a passeio ou para brincar com assunto sério. Eles vieram para representar, para se opor, para incomodar. Tanto que foram inúmeros os boicotes de rádios a eles durante os anos 90 e inúmeros os protestos do Rage incluindo a participação deles no Lollapalooza de 1993.

Um breve apêndice histórico

Na ocasião a banda subiu ao palco com seus integrantes completamente nus, com os instrumentos encostados fazendo o reverb, com as bocas tampadas por uma fita isolante preta e o tronco pinchado com as letras PMRC e ficaram assim durante 15 min. PMRC é uma empresa que coloca adesivos de conteúdo explícito em discos, “algo que existe até hoje e algo que éramos contra, que achávamos uma merda. Então pensamos ‘não temos que tocar nesse show, temos que protestar’.” Essa frase é do baixista Tim Commerford em entrevista a ESPN.

Voltando ao álbum de 1999

Battle of LA ainda foi forte e preciso só que sem muitos hits se comparado aos dois pilares comentados anteriormente. Por aparente vontade da banda em nunca tentar ser comercial, pode ter quem diga, mas creio que seja algo mais profundo. A verdade é que os membros já não se entendiam e o processo criativo já não era mais fluído e isso é audível no disco que possui seus 45 minutos, certamente cumpriu seu papel de não decepcionar os fãs e incomodar por diversos fatores os críticos.

É um final digno principalmente se levar em consideração a evolução musical dos integrantes da banda, O Rage Against the Machine trouxe ao mundo maior senso crítico, novidades sonoras e certamente figuras incendiárias e carismáticas que defendem acima de tudo um ponto de vista duro e realista.

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